sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Massacre da Expedição do Padre Calleri

Quando se faz uma pesquisa na internet sobre o massacre à expedição do Padre Calleri encontramos muitas versões do objetivos da missão e acusações diversas sobre os culpados pelo massacre, mas o que é certo é que a missão estava totalmente ligada a construção da estrada BR-174 que liga Manaus/AM - Boa Vista/RR.

Construção da BR-174

Para entender um pouco da história do massacre é preciso conhecer o contesto histórico que essa região vivia naquela época.

Com o surto de desenvolvimentos industrial no Brasil e com a estratégia militar de povoar o norte do país, o governo brasileiro (regime militar) decidiu construir à estrada BR-174 para ter acesso a área mineradora de Pitinga e a região onde seria construída a hidrelétrica de Balbina que abasteceria a Zona Franca de Manaus/AM.



Infelizmente esse período da nossa história é marcado  por inúmeros massacres, e com a construção da BR-174 não foi diferente, pois a estrada passaria por dentro de terras indígenas que não tiveram suas opiniões sobre a construção da BR consultadas, gerando grandes conflitos entre militares e os índios Waimirus-atoaris.

Geraldo José do Blog "História, Filosofia e Geopolítica" faz a seguinte citação sobres esses conflitos:

"A abertura de estrada é um dos episódios mais abafados e sinistros da história das Forças Armadas brasileiras no período do regime militar. Encobertos pelo AI-5, os militares brasileiros cometeram um dos maiores genocídios da historia mundial, muito pior que os armênios pelos turcos ou judeus por nazistas. Em 1968, quando começou a revolta dos Waimiris-atroaris contra a abertura da BR-174, sua população era estimada mais de 6.000 pessoas; em 1974, quando as forças armadas terminaram sua campanha de extermínio, eles eram menos de 500. Dessa guerra restaram, pelo lado dos Waimirirs-atroaris as lendas dos grandes chefes guerreiros Maiká, Maroaga e Comprido ( nomes dados pelos brancos, na verdade seus nomes seriam, muito provavelmente, Sapata e Depini) todos mortos pelo exército. O episódio mais infame dessa guerra, documentada por entrevistas gravadas pelo Padre Silvano Sabatini com índios wai-wai, waimiris-atroaaris e sertanistas e relatadas no livro Massacre (Edições Loyola, 1998) foi o bombardeiro pela Força Aérea Brasileira de uma maloca em que o waimiris-atroaris realizavam uma festa ritual." 


Fonte: Jornalista Edílson Martins
Foto de um possível ataque a uma maloca 

Padre Calleri e o Objetivo da Expedição

Giovanis Calleri era um sacerdote italiano, missionário da Consolata, nasceu em Carrú - Itália no dia 15 de abril de 1934, chegou em Roraima no ano de 1965 e foi morto aos 34 anos em 1968.

Existe no minimo cinco versões mais aceitas sobre o real objetivo da expedição;

1º Versão: O Padre João Calleri foi encarregado pelos militares de afastar os Waimirirs-atroaris da região da BR-174 de forma pacifica. 

2º Versão: O padre teria sido encarregado pela Igreja Católica a atuar em uma missão de paz entre militares e os índios, para que houve-se uma solução pacifica na construção da estrada.

3º Versão: Acreditasse que o Padre, foi enviado pelos militares para amansar os índios para em seguida os militares invadirem a cometeram uma chacina, mas essa é a versão menos aceita.

4º Versão é de que o Padre, foi enviado aos Waimirirs-atroaris por solicitação do Presidnete da FUNAI, Queiroz Campos, para promover a aproximação, o contato e o aldeamento do índios.

5º Versão é a mais polemica e também a mais recente, é de que o Padre foi jogado em uma verdadeira armadilha, acredita-se que os militares o enviaram para morrer e se aproveitar a situação para atacar os Waimiris-atroaris.

Massacre da Expedição

Não se sabe ao certo o real objetivo da expedição, o que se sabe é que o Padre Calleri foi junto com outros oito companheiros, seis homens e duas mulheres para dentro do território Waimiris-atroaris.

Assim como o obejtivo da missão tem algumas versões,  a causa da morte dos expedicionários também tem pelo menos duas versões. 

1 Versão: Acredita-se que o Padre quis a principio promover uma solução pacifica entre os militares e os índios, mas como a pressão para construir a BR-174 era grande, o Padre Callere se viu obrigado a mudar o roteiro de sua ação conduzindo a expedição de form imprudente, cometendo erros como querer impor sua personalidade que era conhecida por ser esquentada.

Como  a região vivia um momento de conflito e muitos índios já teriam morrido por brancos, os Waimiris-atroaris assassinaram os nove integrantes da missão com golpes de terçado.

2 Versão: O Padre Calleri foi ao encontro do Waimiris-atroaris supondo que estaria indo para uma missão de paz, no entanto tudo era uma armadilha. Segundo o Padre Silvano em seu livro "Massacre" a expedição foi  executada na manhã do dia 1 de novembro de 1968, em um ataque comandado po Paulo Mineiro (um dos membros da expedição) junto com outros brancos. Os expedicionários teriam sidos propositalmente expostos ao perigo. 

O que se sabe é que o massacre da expedição serviu como justificativa para atacar uma população que tinha mais de 3 mil pessoas e que foi reduzida para menos de 500, tendo como objetivo os projetos da mineradora e da hidrelétrica. 

Os restos mortais da expedição foram encontrados pela Primeira Esquadrilha Aeroterrestre de Salvamento, e atualmente seus restos mortais do Padre Calleri se encontra sepultado na Igreja da Matriz de Boa Vista.

Fonte: Jornalista Edílson Martins
Foto dos restos mortais do expedicionários 

Fontes de Pesquisa:

http://noticias.uol.com.br/album/2012/11/09/comissao-da-verdade-investiga-crimes-contra-povo-indigena.htm?mobile

http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2013/02/comite-estadual-articula-visita-da-comissao-da-verdade-ao-amazonas.html

http://www.adital.com.br/site/noticia_imp.asp?cod=36378&lang=PT

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc06129818.htm

http://geraldojose.blogspot.com.br/2008/05/construo-da-br-174.html

http://site-antigo.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=100

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Lenda do Pirarucu

Pirarucu é um peixe da região amazônica que pode alcançar cerca de 2 m de comprimento. Sua carne é bastante utilizada em pratos típicos, o que faz com que o pirarucu seja bastante conhecido na região.


Para explicar a origem do pirarucu os índios contam que antes de ser um peixe Pirarucu era um jovem índio guerreiro, valente, orgulhoso, vaidoso, injusto e que gostava de praticar maldade ao contrario de seu pai que era um bom homem.

Um dia durante a ausência de seu pai que visitava algumas tribos vizinhas, Pirarucu aproveitou a ocasião para fazer de refém os índios  da própria aldeia e executa-los sem motivo algum.

Foi então que Tupã, Deus dos deuses resolveu castiga-lo com uma forte tempestade que caiu dos céus sobre a floresta. Em seguida com sua arrogância Pirarucu começou a debochar de Tupã. Foi então que começaram a cair raios perto do índio que em seguida tentou fugir, mas não conseguiu, vencido pela força do vento caiu ao chão e um raio partiu uma árvore muito grande que caiu sobre sua cabeça, achatando-a totalmente. Ainda vivo o jovem guerreiro teve o corpo carregado facilmente pela enxurrada para as profundezas do rio, porém Tupã achou que a morte sera pouco para Pirarucu e não satisfeito resolveu castigar o jovem guerreiro transformando-o em um peixe avermelhado de grandes escama e de cabeça chata.


domingo, 13 de maio de 2012

Lenda da Vitória Régia

Há lenda da vitória régia conta que a Lua era um deus chamado pelos índios de Jaci, dizia-se que com ao chegar da noite, Jaci namorava as mais lindas jovens índias da aldeia e todas as vezes que ela se escondia atrás das montanhas, levava consigo uma moça e a transformava em uma estrela no céu.



Uma índia chamada Naiá, ao contemplar a lua que brilhava no céu apaixona-se por ela. Assim, nasceu na índia, um forte desejo de torna-se também uma estrela. Todas as noites, Naiá saia da maloca para contemplar a lua e suplicar para que Jaci a levasse consigo e a transformasse em uma bela estrela.



Muitas noites se passaram sem que a índia conseguisse realizar seu sonho, até que un dia adoeceu, triste com a indiferença de Jeci, porém o desejo de realizar seu sonho era maior. Em um determinada noite Naiá, muito debilitada correu desesperadamente na tentativa de alcançar a lua, durante o percurso Naiá tropeçou na mata e acabou desmaiando, quando acordou Naiá viu o reflexo da lua nas águas do igarapé, sem exitar mergulhou na água e acabou se afogando. 


Mas Jaci sensibilizado com o esforço de Naiá, transformou-a na grande flor do Amazonas, a Vitória Régia, que só abre suas pétalas ao luar, assim, a jovem índia Naiá tornou-se a estrela dos lagos.


sábado, 12 de maio de 2012

Lenda do Mapinguari

O Mapinguari é uma espécie de monstro lendário que vive na Amazônia. Segundo os caboclos o mostro lembra muito um grande macaco pois, possui uma longa pelagem escura. Seu couro assemelha-se a do jacaré, possui garras, um único olho na testa, uma armadura feita do casco da tartaruga, uma grande boca no lugar do umbigo e um odor insuportável que ele exala na mata, além de possuir aproximadamente dois metros de altura.

Segundo a Lenda, o Mapinguari emite gritos semelhantes ao grito dado pelos caçadores, e se alguém responder, ele logo vai ao encontro do desavisado que acaba sendo devorado pela imensa boca do mapinguari.

Durante a perseguição, ao contrario de outros animais da floresta que casam suas presas de forma silenciosa e cautelosa o Mapinguari persegue sua vitima gritando, quebrando galhos e derrubando árvores, deixando um rastro de destruição e criando uma sensação de terror a vitima que tenta de forma desesperada fugir do destino terrível.

Recentemente o biólogo David Oren, gerente científico da Nature Conservancy do Brasil, relatou em artigo publicado na revista do Grupo de Especialistas na Ordem Edentata (preguiças, tatus e tamanduás) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que o mapinguari pode ser na verdade os últimos representantes de preguiças-gigantes um mamífero pré-histórico, de mais de 12 mil anos e que talvez ainda exista na Amazônia brasileira.

Outros acreditam na origem do monstro num velho pajé amaldiçoado e condenado a viver para sempre vagando pelas selvas e nessa forma aterrorizante. Outros, ainda, justificam sua origem em índios com idade avançada e que foram desprezados por suas tribos passando a viver isoladamente na floresta.

Lenda da Iara

A lenda da Iara é de origem indígena popular da Amazônia, também conhecida como "mãe d'água", Iara é uma linda sereia de pele morena, cabelos longos, olhos castanhos que vive no rio Amazonas.

Segundo a lenda, Iara era uma jovem indígena muito conhecida nas tribos das margens do rio Solimões por se considerada uma excelente índia guerreira.
Os irmãos de Iara sentiam muita inveja dela, pois o pai a elogiava muito pelo fato de Iara exercer a função de guerreira melhor que os irmãos, lhes causando certo constrangimento, pois não era comum nas tribos dessa região uma mulher exercer a função de guerreira, pois, essa profissão era normalmente um cargo exclusivo dos homens.
Certo dia, Iara ouviu os irmãos planejarem sua morte, porém, ela resolveu matar os irmãos antes que esses executassem o plano. Após ter assassinato os irmãos, Iara fugiu para as matas com medo da reação do pai. Porém, o pai realizou uma busca implacável e conseguiu capturá-la. Como castigo pela morte dos irmãos, Iara foi jogada no encontro dos rios Negro e Solimões.

Durante a noite de lua cheia, os peixes que ali estavam a salvaram a índia Iara e a transformaram em uma linda sereia.
Nas pedras das encostas dos rios da Amazônia, Iara costuma atrair os homens com seu belo e irresistível canto e os afoga no fundo dos rios.

Os poucos que conseguem escapar acabam ficando loucos em função dos encantamentos da sereia. Neste caso, somente um ritual realizado por um pajé pode livrar o homem do feitiço.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Lenda do Monte Roraima


O Monte Roraima esta localizado ao sul da Venezuela, ao norte do Brasil e oeste da Guiana constituindo a tripla fronteira, uma região de de terreno montanhoso com centenas de outras montanhas e montes chamados de Tepuis.

A lenda surgiu na tribo dos índios Macuxi que ali habitavam. Segundo os índios, antigamente no local onde hoje existe o Monte Roraima, existiam apenas terras baixas e alagadiças, cheias de igapó sem nenhum tipo de elevação naquelas terras.
As tribos que viviam naquela área não precisavam disputar comida, pois a caça e a pesca e outros frutos eram abundantes.
Em um determinado dia surgiu em um local uma bananeira, uma arvore que não era típica da região e que os índios Macuxi nunca tinham visto. De forma impressionante a arvore cresceu rapidamente e deu belos frutos.

Porém um recado divino foi dado aos pajés e estes logo avisaram a todos da tribo que jamais poderiam tocar ou comer os frutos da bananeira pois aquele era um ser sagrado e que caso isso acontecesse inúmeras desgraças aconteceriam ao povo daquela terra.
Todos passaram a temer e a respeitar as ordens dos pajés. Porém, ao amanhecer de um certo dia, a tribo percebeu que um cacho da bananeira havia sido decepado e em instantes vieram as consequencias da desobediencia.
A terra começou a tremer, trovões e relâmpagos rasgavam o céu deixando todos assustados. Os animais fugiram e começou a despencar muita chuva.


Em seguida do centro daquelas terras alagadas surgiu o Monte Roraima, elevando-se imponente até o céu.

É por tudo isso que, até os dias de hoje, acredita-se que o monte Roraima chora quando de suas pedras saem pequenas gotas de água.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Lenda da Cobra Grande

De origem ameríndia, a lenda da Cobra Grande ou também chamada de Boiúna, Cobra Norato ou Mãe Grande fala de uma imensa cobra de tamanho descomunal, que habitar a parte profunda dos rios e lagos e que tem corpo e olhos luminosos além de poder assumir outras formar para enganar o caboclo.




A lenda é bastante conhecida entre as populações ribeirinhas da Amazônia que afirma que ao se rastejar pela terra firme, os sulcos que a cobra deixa se transformam nos igarapés e rios.




Existem diversas versões locais desta lenda. Nos Rios Solimões e Negro, por exemplo, a Cobra Grande nasce do cruzamento de mulher com uma assombração (visagem) ou de um ovo de mutum.
Outra versão da região do Rio Solimões conta que a filha de um pajé foi seduzida por um forasteiro e deu à luz gêmeos: José e Maria. No entanto quando nasceram, o velho pajé matou sua filha e atirou as duas crianças na água. José morreu, mas Maria recebeu a proteção de Iara que a transformou em uma enorme serpente com olhos de fogo, a Cobra Maria derruba barrancos, afunda canoas e encalha navios.


No Rio Tocantins, conta-se que uma índia engravidou da Boiúna e teve duas crianças: uma menina chamada Maria e um menino chamado de Honorato. Para que ninguém soubesse da gravidez, a jovem jogou as crianças no rio na tentativa de mata-los. Porém as duas crianças sobreviveram e nas águas dos rios se criaram como cobras gigantes. Desde a infância os dois irmãos já demonstravam uma grande diferença de personalidade. Maria fazia de tudo para prejudicar os pescadores e ribeirinhos, afundando os barcos para que seus tripulantes morressem afogados.


Ao contrario da irmã Honorato sempre que sabia que ela ia atacar algum barco, tentava salvar a tripulação. As tentativas de impedir as maldades de Maria fez com que uma rivalidade surgisse entre os irmãos. Até que um dia os dois travaram uma briga mortal onde Maria foi derrotada. Assim, as águas da Amazônia e seus habitantes finalmente ficaram livres da maldade de Maria. Honorato, entendendo que já havia cumprido sua missão, desejava voltar para sua forma humana. Para isso, precisava que alguém tivesse a coragem de derramar “leite de peito” em sua boca em uma noite de luar. Feito isso, essa pessoa destemida ainda teria que provocar um sangramento na cabeça gigantesca de Honorato para que a transformação pudesse se completar. Porém ninguém tinha coragem, até que um dia um soldado do município de Cametá, no estado do Pará, conseguiu libertar Honorato do terrível encanto, deixando de ser cobra d’água para viver na terra com sua família.
Em Roraima a lenda diz que uma linda índia, princesa da tribo, ao apaixonar-se pelo Rio Branco, foi transformada numa imensa cobra chamada Boiúna pelo enciumado Muiraquitã. A Boiúna é tida na região como protetora daquele rio, ajudando os pescadores e punindo os predadores de suas águas.




No Acre, a entidade mítica transforma-se numa linda moça, que aparece nas festas de São João para seduzir os rapazes desavisados, como se fosse a versão feminina da lenda do boto cor de rosa.
O mito da Cobra Grande também se manifesta nas crenças das populações urbanas. Diz-se que algumas cidades supostamente estão localizadas sobre a morada da Cobra Grande, como Santana-AP e Parintins-AM por exemplo.
Em Belém, acredita-se que existe uma cobra grande adormecida embaixo da cidade, sendo que sua cabeça estaria sob o altar-mor da Basílica de Nazaré e o final da cauda debaixo da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Os mais antigos dizem que se algum dia a cobra acordar ou mesmo tentar se mexer, a cidade toda poderá desabar. Por isso, em 1970 quando houve um tremor de terra na capital paraense falava-se que era a tal cobra que havia apenas se mexido.
Existem de fato cobras de tamanho grande na região amazônica, que habitam as águas dos rios e lagos, onde nadam e mergulham. São chamadas de Boiaçu, Sucuri, Sucuriju ou Anaconda. Pesam em geral 150kg e medem de cinco a sete metros, mas existem descrições de exemplares com mais de 11m.